Apolo Me Ensinou a Ficar — Ebook por R$ 10 (oferta de lançamento)
Capa do livro Apolo Me Ensinou a Ficar

— relato de Senhor João Macêdo

O cachorro que parecia um astronauta no meio da estrada de chão.

Ele apareceu com uma sacola presa na cabeça. Não enxergava nada. Eu jurei pra mim mesmo que não ia ficar com ele.
Quem ficou fui eu.

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⭐⭐⭐⭐⭐  Leitura de uma sentada. Quem tem cachorro chora. Quem teve, chora mais.

prólogo

A coleira que ficou pendurada

Aquela coleira ficou pendurada tempo demais. Tem gente que guarda retrato. Tem gente que guarda carta. Eu guardei uma coleira velha, já meio comida nas bordas, com uma fivela riscada e um cheiro que, de primeiro, ainda lembrava o pelo dele. Depois o cheiro foi embora também. Mas a lembrança, essa danada, não arredou pé.

Ela ficou ali, num prego perto da porta dos fundos, como quem ainda esperava serviço. Todo dia eu passava por ela. Às vezes fingia que não via. Outras vezes parava um pouco, só pra olhar. Homem velho faz dessas coisas. Diz que não sente, mas fica conversando com objeto quieto, como se aquilo fosse responder alguma coisa.

Eu servi no exército quando era moço. Aprendi a ficar em pé direito, a engolir palavra, a não mostrar tremor. Só não me ensinaram o que fazer quando a casa fica em ordem demais. Porque depois que Apolo se foi, a casa ficou certinha. Não tinha pote virado. Não tinha rastro de pata no terreiro molhado. Não tinha latido quando alguém passava na estrada.

A saudade não mora só na cabeça da gente. Ela escolhe canto. Mora num pote vazio, numa marca no portão, numa sombra no chão, numa guia pendurada. Aquela coleira era só couro, ferro e poeira.

Mas, pra mim, era Apolo dizendo que tinha passado por ali.

Antes de contar como ele partiu, eu preciso contar como ele chegou.

capítulo um

O astronauta no meio da estrada

Foi lá pras bandas do fim da tarde, hora em que o sol começa a baixar atrás do pasto e a estrada de chão fica com aquela poeira dourada. Eu vinha voltando pra casa sem muita pressa.

Foi quando eu dei fé daquele trem se mexendo no meio da estrada. De longe, achei que fosse saco plástico levado pelo vento. Depois vi que não. O trem andava. Mas andava torto. Ia pra um lado, batia no mato. Virava pro outro, quase caía. Parava, sacudia a cabeça e continuava sem rumo.

Cheguei mais perto e vi que era um cachorro. O coitado tava com uma sacola presa na cabeça. Daquelas sacolas de mercado, branca, amassada, agarrada no focinho feito capacete. O bicho não enxergava nada. Só respirava apertado e andava no escuro, como se o mundo tivesse acabado de repente.

Na mesma hora, minha cabeça voltou lá pra quando eu era menino. Lembrei da televisão chiando na sala, o povo todo espremido pra ver os homens pisando na Lua. Aqueles homens vestidos de branco, andando devagar, parecendo que tinham sido largados num lugar que não era deste mundo.

Pois aquele cachorro me apareceu igualzinho. Um astronauta perdido no meio da estrada de chão. Só que em vez de Lua era poeira. Em vez de nave era sacola de mercado. E em vez de bandeira fincada no chão, tinha só eu ali, um velho teimoso, olhando pra ele sem saber que minha vida tava prestes a mudar.

Estiquei a mão, segurei a sacola com cuidado e puxei. Quando a sacola saiu, ele respirou fundo. Foi um suspiro comprido, sofrido, desses que parecem sair não só do peito, mas da vida inteira. Ficou parado, olhos arregalados, focinho sujo, língua de fora, olhando pra mim como se eu tivesse aberto o céu.

Eu devia ter seguido meu caminho. Devia ter dito: pronto, tá salvo. Agora vai embora, arruma tua vida, que eu já tenho a minha pra cuidar. Mas ele não foi. Ficou ali me olhando.

E tem olhar que, quando entra na gente, não pede licença pra ficar…

[a história continua no livro]

esse livro é

Para quem já amou um bicho.

  • 01

    Pra quem já teve um cachorro e ainda escuta o latido na cabeça.

  • 02

    Pra quem perdeu um bicho e nunca soube onde colocar essa saudade.

  • 03

    Pra quem nunca teve, mas entende que algumas amizades não precisam de palavra.

  • 04

    Pra quem gosta de história simples — das que apertam por dentro.

Se você leu até aqui, esse livro provavelmente é pra você.

o que tem dentro

Sumário

  1. PrólogoA coleira que ficou pendurada
  2. Cap. 1O astronauta no meio da estrada
  3. Cap. 2Os homens na Lua
  4. Cap. 3Eu não ia ficar com ele
  5. Cap. 4A primeira noite
  6. Cap. 5A disciplina do velho soldado
  7. Cap. 6O primeiro passeio
  8. Cap. 7O cachorro que me esperava na porta
  9. Cap. 8O dia em que Apolo sumiu
  10. Cap. 9O banco da varanda
  11. Cap. 10As coisas que Apolo entendia
  12. Cap. 11O dia em que eu disse depois
  13. Cap. 12O cachorro que envelheceu comigo
  14. Cap. 13A última patrulha
  15. Cap. 14A última vez que ele veio me receber
  16. Cap. 15O dia seguinte
  17. Cap. 16A coleira
  18. Cap. 17O que Apolo me ensinou
  19. EpílogoAlgumas missões nunca terminam

19 capítulos. Uma única história. Um único cachorro.

capítulo quatro

A primeira noite

No meio da noite, ouvi unha raspando no chão. Depois um chorinho baixo. Depois silêncio. Depois unha de novo. Fingi que não ouvi. Homem quando quer parecer firme fica muito ocupado fingindo.

Levantei resmungando, acendi a luz do corredor e fui ver. Apolo tava sentado, olhando pra porta como se esperasse autorização pra existir. A casa tava escura, chuva ainda batendo no telhado, e o bicho com aqueles olhos grandes, sem entender direito onde tinha parado.

Sentei num banco perto dele. Não fiz carinho de primeira. Só sentei. Às vezes a gente acha que consolo é dizer alguma coisa, mas tem hora que consolo é só não sair de perto.

Quando eu era moço, dormi em muito lugar estranho. Alojamento frio, chão duro, barraca improvisada. O corpo dormia, mas um pedaço da gente ficava de guarda. Acho que Apolo tava assim. Não era manha. Era medo de acordar sozinho de novo.

— Pode dormir, bicho. Hoje ninguém vai te tocar daqui.

“Naquela primeira noite, eu também escolhi.”

lançamento

Leve a história inteira pra casa.

Ebook Apolo Me Ensinou a Ficar
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Se em 7 dias você não sentir nada lendo essa história — nenhum aperto no peito, nenhuma lembrança boa de um cachorro que um dia te esperou na porta — me escreve. Devolvo o seu dinheiro sem perguntar nada. Palavra de velho.

do epílogo

“Algumas missões não terminam quando a gente se despede.
Algumas continuam dentro da gente.”

Eu poderia te contar aqui como o Apolo se foi. Mas se eu contasse, eu te roubava o que esse livro tem de mais bonito — a despedida que cura. Você precisa ler do começo. Do dia em que ele apareceu na estrada de chão até o dia em que a coleira ficou pendurada no prego.

Tem coisa que só faz sentido quando a gente acompanha do início ao fim.

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Perguntas que costumam aparecer

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Em qual aparelho consigo ler?

Celular, tablet, computador, Kindle, qualquer coisa que abra PDF. É leitura confortável tanto na tela quanto impresso, se você preferir.

É um livro grande? Vou conseguir terminar?

São 19 capítulos curtos. A maior parte dos leitores termina em uma ou duas sentadas — porque a história não te solta.

E se eu não gostar?

Você tem 7 dias pra ler. Se não te tocar, escreve pra gente e devolvemos 100%% do seu dinheiro. Sem letra miúda, sem pergunta.

Apolo Me Ensinou a Ficar

— Senhor João Macêdo

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